Organização popular, saúde e participação política marcam debates no Encontro Nacional de Agentes Populares

Rogério Babau, da Coordenação Nacional do Movimento Brasil Popular. Foto: Emilly Firmino

O segundo dia do Encontro Nacional de Agentes Populares foi marcada por reflexões sobre o papel da organização popular na transformação da realidade brasileira, a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e a valorização do trabalho comunitário desenvolvido nos territórios.

Quem conduziu o debate foram Rogério Babau e Eliane Martins, ambos da Coordenação Nacional do Movimento Brasil Popular, que destacaram a importância dos Agentes Populares como sujeitos fundamentais na construção de soluções coletivas para os desafios enfrentados pelas comunidades.

“Agente Popular é quem não sucumbiu ao individualismo. É alguém que se importa com a vida das outras pessoas e transforma essa preocupação em ação coletiva. Não é possível mudar a realidade sozinho. Quando o povo se junta, se organiza e luta, ele se torna capaz de transformar a sua própria história”, afirmou Eliane, que também explicou como o trabalho realizado nas cozinhas solidárias, nos processos de alfabetização, nas ações culturais e nas iniciativas de saúde popular tem sido essencial para garantir direitos e fortalecer a organização das populações mais vulneráveis.

Eliane Martins, o Agente Popular transforma as preocupações das comunidades em ação coletiva. Foto: Emilly Firmino

Outro tema levantado pela mesa foi o reconhecimento do trabalho de cuidado realizado nos territórios. Os facilitadores defenderam a construção de políticas públicas que valorizem e garantam condições para a continuidade dessas iniciativas, desenvolvidas diariamente por milhares de pessoas que dedicam seu tempo à alimentação, educação, saúde e acolhimento das comunidades hoje de forma voluntária, militante e não remunerada, mas que precisa ser valorizada através de políticas sociais.

A identidade dos agentes populares também esteve no centro das discussões. As intervenções ressaltaram que ser agente popular significa assumir um compromisso com o coletivo, interessar-se pelos problemas das outras pessoas e transformar a solidariedade em ação organizada.

Nesse sentido, Babau reforçou a necessidade de conectar as lutas locais às disputas nacionais, fortalecendo a participação popular nos processos políticos e na defesa dos direitos sociais: “A política decide a nossa vida. É ela que define se vamos ter moradia, SUS, trabalho e direitos. Por isso não podemos abrir mão de disputar os rumos do país. Eles nos ensinaram a não gostar de política, mas não nos disseram que é a política que decide se teremos direitos ou não”.

As experiências construídas durante a pandemia também foram lembradas como um marco na trajetória dos movimentos populares. Os dirigentes recordam a atuação dos agentes populares de saúde e das redes de solidariedade que garantiram informação, proteção e assistência às comunidades em um dos momentos mais difíceis da história recente do país.

Encerrando os debates, as falas reafirmaram que os desafios enfrentados pelo povo brasileiro como a desigualdade, o racismo, a violência e a exclusão social só poderão ser superados por meio da organização coletiva. A construção de um projeto popular para o Brasil, baseado na participação popular, na defesa dos direitos e no fortalecimento das comunidades, foi apontada como uma tarefa central para os próximos anos.

Texto: Larissa Nunes

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