
Somos mais de 1.000 Agentes Populares de 22 estados do país. Somos trabalhadoras e trabalhadores que se movimentam diariamente nas periferias urbanas de todo o Brasil e nos reunimos entre os dias 5, 6 e 7 de junho de 2026 na capital federal para compartilhar um sonho e firmar um compromisso: o de transformar nossas comunidades em territórios de paz, de direitos e de oportunidades para quem trabalha e luta diariamente contra a exclusão social, a violência e a privação de direitos.
Construímos a vida em nossos territórios quando o Estado muitas vezes se ausenta. Somos os agentes populares que combateram a fome e o vírus durante a pandemia de Covid-19 com solidariedade ativa e organização popular. Organizamos cozinhas, formamos milhares de agentes populares de saúde, alimentação, educação, direitos, economia popular e solidária, igualdade étnico-racial, fizemos lutas e estruturamos um processo de organização permanente em cada canto do Brasil.
Em 2022, ajudamos a eleger o Presidente Lula e a derrotar a extrema-direita nas urnas. Hoje, temos muito orgulho de que as nossas experiências de organização popular nas periferias tenham inspirado políticas públicas de participação social em diferentes Ministérios do governo que elegemos, como é o caso dos agentes populares. Nelas, deixamos de ser beneficiários passivos das políticas públicas para nos convertermos em agentes ativos da transformação dos nossos territórios. Este Encontro Nacional é uma demonstração dessa potência.
Somos força em movimento que contribui ativamente para a ampliação da participação do povo na política. Tivemos uma atuação importante na construção do Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo, enraizando em cada território o debate em torno do fim da escala 6×1, da redução da jornada de trabalho e por um sistema tributário mais justo.
Sabemos que o atual momento histórico está repleto de desafios para a classe trabalhadora. Estamos diante de uma crise civilizatória de múltiplas dimensões – econômica, social, política e ambiental – que afeta o modo como trabalhamos, vivemos e nos relacionamos. O modelo de desenvolvimento capitalista neoliberal e predatório impõe empregos precarizados, a superexploração do trabalho, a destruição da natureza e a degradação da vida humana em todas as dimensões.
Atravessamos ainda uma crise da hegemonia estadunidense no capitalismo mundial. Em todo o planeta, multiplicam-se as guerras, ameaças e pressões econômicas e políticas sobre os povos do mundo, inclusive na América Latina. O cenário de instabilidade geopolítica agrava ainda mais os impactos negativos do neoliberalismo sobre a vida dos trabalhadores e trabalhadoras desses países.
Na política, a extrema-direita disputa os corações e mentes do nosso povo com um projeto antidemocrático, neoliberal e antinacional. Se em cada vila, favela e palafita do nosso país, compartilhamos os mesmos problemas, entendemos que nossa luta não se esgota em nossos territórios. Por isso, há 4 anos, organizamos nossa disposição, nossa solidariedade e nossa sede de transformação da realidade no Movimento Brasil Popular, organização que canaliza o compromisso dos lutadores e lutadoras do povo brasileiro das periferias urbanas para o Projeto Popular para o Brasil.
Saímos do I Encontro Nacional de Agentes Populares cientes da grandeza dos desafios do próximo período e certos da capacidade do povo brasileiro de enfrentá-los. Entendemos que esse enfrentamento passa por duas tarefas centrais.
A primeira delas é o engajamento com força total na batalha eleitoral que se avizinha. Na atual conjuntura de enfrentamento à extrema direita, entendemos que a reeleição do presidente Lula é fundamental para seguir reorganizando as forças populares para a disputa de um novo modelo de sociedade. Queremos contribuir ainda para que o quarto governo Lula represente um projeto que não apenas reconstrua o país, mas que também avance rumo a reformas estruturais que acumulem forças para a construção de um projeto de país profundamente democrático e soberano.
Reafirmamos ainda o nosso compromisso com a ampliação das bancadas parlamentares de esquerda nas Assembléias Legislativas estaduais e no Congresso Nacional, bem como com a eleição de governos estaduais aliados às forças populares.
Sabemos, contudo, que a luta eleitoral sozinha é insuficiente para produzir transformações na profundidade que o Brasil precisa. Por isso, nossa segunda tarefa é o enraizamento da organização popular nas periferias urbanas. Nossas experiências de organização da solidariedade desde a pandemia tem evidenciado o trabalho sociocomunitário como um novo “chão de fábrica” no sentido de construção de vínculos coletivos nos territórios, de fortalecimento da organização popular e uma via possível para a valorização de ocupações sociais relevantes, capazes de enfrentar as mazelas do trabalho precarizado e superexplorado de forma eficaz nas periferias.
Dessa maneira, iniciativas que incidem nas demandas concretas do povo, tais como as Cozinhas Solidárias, Centros Populares de Solidariedade, Agentes Populares e Cursinhos Populares não são ações assistenciais, são instrumentos de organização popular e educação política. A disputa de hegemonia se traduz na atuação cotidiana das forças populares nesses territórios, fortalecendo os laços de solidariedade existentes, organizando as lutas comunitárias e vinculando-as à luta por um Projeto Popular para o Brasil.
Brasília, 7 de junho de 2026
Movimento Brasil Popular

