O Partido dos Trabalhadores é nosso lugar, Movimento Brasil Popular!

“É necessário sintonizar o PT com as novas expressões do povo brasileiro”. Foto: Lula Marques/PT

O Partido dos Trabalhadores (PT) inicia o ano de 2026 com o seu 8º Congresso Nacional, diante de uma conjuntura nacional e internacional complexa e decisiva. O Movimento Brasil Popular saúda o Congresso do PT, compartilha a sua leitura sobre o momento atual e se coloca à disposição do partido para contribuir com o enfrentamento aos desafios que estão colocados para as lutas da classe trabalhadora.

I – A conjuntura atual

  1. A nível internacional, acompanhamos com preocupação a ofensiva imperialista dos Estados Unidos contra a Venezuela, Cuba e Irã, somada à internacionalização do movimento neofascista que ameaça a soberania dos povos, a democracia e os direitos da classe trabalhadora. Esse movimento internacional é sintoma da crise do capitalismo e do imperialismo estadunidense, frente à ascensão da China e de uma ordem multipolar.
  2. A nível nacional, as forças populares que se encontravam em situação de defensiva desde o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma, passaram a retomar o fôlego com a vitória de Lula nas eleições de 2022. O governo conseguiu enfrentar a herança maldita dos governos Temer e Bolsonaro, ao melhorar a vida do povo com o aumento real do salário mínimo, redução do desemprego, redução expressiva dos níveis de insegurança alimentar e fortalecimento das políticas públicas. Em 2026, a centralidade da luta de classes será a reeleição do presidente Lula e de uma bancada de parlamentares e de governadores alinhados ao nosso projeto político. Será um processo duro e que exigirá da militância bastante engajamento.

II – O partido da transformação social

  1. A trajetória do PT é única: nasceu das lutas sociais e sindicais, articulando autonomia da classe trabalhadora e um projeto democrático e popular. Enfrentou tensões entre a radicalidade de suas bases e as exigências institucionais de disputa eleitoral e de gestão do Estado. O petismo e o lulismo são fenômenos sociais de massa, enraizados no povo brasileiro, cumprindo um papel potencialmente mobilizador.
  2. O 8º Congresso do PT retoma, no centro do debate, o desafio de atuar como instrumento de transformação social, sem perder sua identidade de classe, diante de pressões por adaptação, alianças amplas e mediações políticas. Dessa forma, é necessário manter vivo o vínculo orgânico com as lutas populares e a construção de um projeto estratégico de mudanças estruturais no Brasil.

III – O Movimento Brasil Popular e o PT

  1. O Movimento Brasil Popular (MBP) é um movimento político urbano que atua na organização popular e na articulação das lutas social, institucional e ideológica para transformar o Brasil. A relação orgânica entre o MBP e o PT vem se construindo na prática das lutas populares e eleitorais, encontrando no Congresso Nacional do partido um momento de síntese e reflexão sobre a ação política transformadora. Nosso compromisso é com o diálogo permanente com a militância petista, que não se esgota neste Congresso, em torno de um projeto de país democrático, justo, solidário, sustentável e soberano.
  2. Nossa contribuição ao PT enfatiza a formação de sujeitos políticos que articulem prática militante, consciência histórica e projeto estratégico. Nesse sentido, destacamos:
  • o militante-educador, cuja atuação ultrapassa a intervenção política imediata para assumir um papel formador, enraizado na tradição da educação popular, em que a prática pedagógica se dá no interior das lutas sociais, promovendo consciência crítica, organização coletiva, protagonismo popular, valores da prática militante e cultura socialista.
  • a identidade militante como sujeito da Revolução Brasileira e da luta pelo Socialismo.
  • o nacionalismo revolucionário, entendido não como ufanismo abstrato, mas como a reivindicação do fio histórico das lutas de libertação nacional, articulando soberania, desenvolvimento e justiça social.

IV – Os desafios a serem enfrentados pelo PT no 8º Congresso:

1- Construir um partido vinculado aos movimentos sociais: Compreendendo o PT como um partido de dimensão nacional, chamado a mediar distintos níveis e frações de poder na sociedade brasileira, é necessário reconhecer que, ao longo de sua trajetória, a ênfase na tática eleitoral acabou por configurar sua dinâmica interna, contribuindo para a constituição de uma espécie de federação de mandatos, na qual o peso decisório tende a se concentrar nos detentores de cargos institucionais. Essa configuração, ainda que tenha garantido elevada eficácia no terreno eleitoral — expressa na eleição de presidentes da República, governadores e prefeitos em diferentes ciclos —, traz como desafio a superação de uma fragmentação que esvazia as instâncias partidárias, limita a vida orgânica e a elaboração política para além das disputas imediatas. Além de revitalizar a prática partidária, é necessário tornar o partido permeável aos sujeitos da mudança, sintonizando o PT com as novas expressões do povo brasileiro.

Isso significa estabelecer uma conexão profunda com os movimentos sociais, incorporando suas pautas. Mas ao mesmo tempo, fomentar cotidianamente a organização social, entendendo que a disputa de hegemonia não ocorre somente em períodos eleitorais. É necessário introduzir uma lógica de “campanha permanente”, convocando a base social do partido para a luta política diária. Dessa forma, entendemos como necessário:

  1. O fortalecimento dos núcleos do PT, concebidos como espaços vivos de organização, formação, mobilização, comunicação e também de compromisso com a sustentação financeira partidária, especialmente nos grandes centros urbanos.
  2. A retomada da Escola de Formação do Partido como espaço estratégico de elaboração política e construção de unidade ideológica, que seja capaz de formar militantes e quadros, e de dialogar com a diversidade interna, sem abrir mão de um horizonte comum.
  3. A renovação partidária, inclusive no âmbito institucional, com o fortalecimento do trabalho com a juventude e a adoção de práticas que ampliem a circulação de quadros — a exemplo do afastamento temporário de parlamentares para o exercício de suplentes —, contribuindo para dinamizar a representação e fortalecer a vida orgânica do partido.
  4. A transformação das sedes do PT em espaço de organização social e política. A militância petista deve converter as sedes do partido em centros de solidariedade, desenvolvendo ações comunitárias, estimulando a organização social local, a formação política, promovendo agitação e propaganda.   

2- Retomar a centralidade da democratização política do Estado brasileiro: Não basta incluir o povo no orçamento, é preciso incluir o povo na política. Para além de incluir a classe trabalhadora no orçamento, tarefa que as gestões petistas vêm buscando realizar nas experiências de governo, cabe ao partido forjar um projeto político enraizado nas necessidades concretas e nas aspirações populares – que inclua o povo na política. É necessário que os governos petistas retomem como eixo programático estratégico a participação social, associando a democratização política com democratização social. Sem essa perspectiva de uma politização massiva não será possível avançar para a construção de um programa de reformas estruturais. Para tanto, é necessário: 

  1. Substituir a lógica do “usuário”, “beneficiário” de políticas públicas para uma compreensão de sujeito político.
  2. Desenvolver uma articulação entre educação popular e políticas públicas, de modo a fortalecer a organização popular, a consciência crítica e o protagonismo dos sujeitos. 
  3. Unificar e robustecer os programas de Agentes Populares, como forma de aprofundar a participação social nos territórios, fortalecendo os conselhos locais de políticas públicas e a organização sócio-comunitária.
  4. Retomar a perspectiva do Orçamento Participativo como forma de empoderar a participação social e fazer frente ao processo de absorção do orçamento público pelo Congresso Nacional.   

3- Dar voz à classe trabalhadora marginalizada: É imprescindível que nas contradições do capitalismo em crise, em especial em nossa formação social periférica, o partido vocalizar as aspirações de setores marginalizados, precarizados e informais da classe trabalhadora, em sua diversidade de raça, etnia, gênero e orientação sexual. Dessa forma, é preciso tornar orgânico o feminismo popular e a igualdade étnico-racial, fortalecer o movimento auto organizado de mulheres, o movimento negro, as lutas LGBTS, e  a resistência dos povos indígenas e tradicionais. Essas dimensões tornam radical a crítica do partido ao capitalismo por ir à raiz das contradições da formação do povo brasileiro e por forjar a emancipação do nosso futuro.

4- Retomar o debate estratégico e o Projeto Democrático e Popular do PT: A exclusividade da via eleitoral pode fazer o partido cair no curto-prazismo, rebaixando o horizonte de transformações na sociedade brasileira. Dessa forma, é necessária a retomada e atualização da estratégia democrático-popular de acúmulo de forças para a Revolução Brasileira e o Socialismo. Essa estratégia deve compor um projeto nacional e antiimperialista de reformas estruturais na sociedade que tenham como princípios a soberania, a democracia, o desenvolvimento, a solidariedade, a sustentabilidade, o feminismo popular e a igualdade étnico-racial.

Essa estratégia deve ser operacionalizável, traduzindo objetivos estratégicos em práticas organizativas e iniciativas concretas nos territórios, como campanhas de solidariedade, formação política, redes de agentes populares e ações de mobilização. Operacionalizar a estratégia democrático-popular requer combinar formas de luta sociais, ideológicas e institucionais. Trata-se, portanto, de um movimento dinâmico que conecta objetivos conjunturais e históricos, organizando ações que, ao mesmo tempo, respondem às necessidades imediatas do povo e acumulam força para mudanças mais profundas.

5- Construir uma frente popular no interior da frente ampla. O tamanho e a força dos inimigos principais do povo devem guiar o tamanho de nossa política de alianças. A construção da frente ampla em 2022 demonstrou-se correta para a defesa da democracia, o enfrentamento do bolsonarismo e a governabilidade do governo Lula. 

No entanto, a esquerda corre o risco de ser diluída e até de desaparecer no interior dessa frente, caso não promova uma unidade da esquerda para disputar os rumos da frente ampla. Essa unidade da esquerda precisa ter base organizativa, programática,  comunicacional e um calendário de lutas unificado.

O PT deve ser o instrumento fomentador dessa Frente Popular, criando espaços de articulação partidária deste campo com maior identidade programática, bem como estimulando a consolidação de um centro político aglutinador dos movimentos sociais. Esse centro aglutinador poderia ter como embrião a unificação da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo. Caberia ao partido sintonizar a agenda política do Governo, da base de sustentação no Congresso e a da sociedade civil organizada, fortalecendo a combinação entre luta institucional e luta social.

portanto, de um movimento dinâmico que conecta objetivos conjunturais e históricos, organizando ações que, ao mesmo tempo, respondem às necessidades imediatas do povo e acumulam força para mudanças mais profundas.

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